A loucura das coleções assinadas

Já virou moda dentro da moda grandes estilistas assinarem coleções para empresas mais populares, indo das araras de roupas até utensílios de cozinha e enfeites para a casa. Lá fora faz sucesso e aqui também chama atenção de muita gente. Mas e aí, porque a gente resolve comprar uma peça assinada?

Lembro da primeira vez em que tive, de fato, contato com uma coleção assinada. Foi em 2011 em NY, quando a Versace deu sua cara para uma pequena parte da H&M. Era uma loucura, uma fila razoavelmente grande e um espaço fechado só pra coleção especial. A loja liberava a entrada de umas 20 pessoas por vez e nós tínhamos 5 minutos cronometrados pra escolher o que queríamos e sair da área vip para dar espaço à próxima leva. Aí era o desespero de catar tudo que você poderia imaginar querer antes que outra pessoa fizesse isso e seu tempo acabasse. Fui para o provador com umas 15 peças, resultado: nenhuma era o que eu imaginava, então devolvi todas e voltei para os cantos comuns da H&M para encher minhas sacolas.imagem 1 a loucura das coleções assinadas

Aquele momento foi muito positivo por duas razões, a primeira foi por vivenciar a experiência e a segunda foi por realmente entender o significado de tudo aquilo, pelo menos pra mim.

No breve momento de lucidez em meio à tormenta de agarrar o máximo que eu podia, consegui dar uma olhada nas peças e ver uma pontinha de Versace naquelas roupas, mas aquilo não era Versace, nem H&M, e acabou virando uma coisa estranha e sem muito sentido a meu ver. O estilo – e o preço- não era o que eu costumava achar na minha querida fast fashion e o caimento, tecido e acabamento impecável da Versace não estavam lá, então foi uma mistura estranha que me desapontou. Sentimento que continua em 99% das coleções assinadas que vi desde então. É como se eu quisesse comprar um painel da Mona Lisa na lojinha do Louvre e chegar em casa achando que eu tinha uma obra do próprio Leonardo na minha parede, ela seria a Mona Lisa, mas ao mesmo tempo não seria!

Quando falamos de roupas, nunca será possível comprar uma Versace dentro da H&M, nem nenhuma marca de semana de moda dentro de grandes magazines, sejam eles nacionais ou internacionais. O que é possível encontrar é apenas um pequeno gostinho desse universo, o que para muitas pessoas já basta.

Acho valido e com certeza tem muita gente que se sente realizada em fazer parte, mesmo de um jeito estranho, desse mundo doido das marcas cobiçadas. Mas por mais que o conceito e a etiqueta estejam lá, uma H&M nunca será uma Versace, e sim uma H&M, o que pra mim já é mais do que suficiente pra ama-la!

 

PS: foto de artista desconhecido

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