A inauguração surreal da Forever 21!!

Sim, fui “doida” e participei da inauguração oficial da Forever 21 no ultimo sábado!! A abertura da loja foi tão noticiada, que fiz pra vocês um post especial, contando todos os detalhes de alguém que vivenciou o evento e que além de personal shopper, também é consumidora. Então uni o útil ao agradável.

Sábado coloquei o despertador pras 7h, queria chegar cedo porque sabia que a fila seria grande, além de estar curiosa pra saber qual era o brinde prometido para as primeiras 500 clientes. O sono foi forte e acabei chegando lá as 10h, já conformada em não ganhar o presentinho, mas sem a menor ideia do que me esperava.

Logo na entrada do estacionamento, dava pra ver a fila que fazia a volta no shopping, mas meu momento sonado não quis acreditar que aquilo era a fila pra Forever 21. Estacionei e vi que o shopping estava bem mais cheio do que o normal, ainda mais naquela hora da matina. Quando cheguei na porta da loja no segundo andar, vi uma pequena multidão e uns seguranças travando a passagem, então perguntei qual era o esquema e fui informada que eu teria que ir ao átrio pegar uma pulseira e depois poderia entrar na loja. Nesse momento deu um friozinho na barriga, mas como fui andando por aquele piso, não tinha visto o formigueiro que se encontrava abaixo de mim.

Cheguei ao átrio (aquele pátio que costuma receber os eventos e exposições) e me deparei com uma multidão em fila, fazendo um zig zag apertado e ocupando todo o espaço. O fim da fila era onde eu temia, lá fora, em frente à C&A e a vista da entrada de carros. Fiquei em choque, imaginava um numero grande, mas não tão grande (hahaha, que inocência) e decidi enfrentar a fila, afinal, programei meu sábado pra isso.imagem 1 forever 21 Tava quente, tava muitoo quente, mas foi andando rápido e eu já tava até fazendo planos de pegar um cinema a tarde. Com uma pequena parada para um café (deixei minha querida companheira na fila enquanto fui buscar os lanches) já estava pronta pra passar algumas horas na fila. Até que fui chegando perto de pegar as pulseiras e veio a bomba…

Uma pequena pausa pra comentar como estava a galera aventureira nesse momento: Tinha gente de todos os estilos. Grupos de amigas, famílias, gente sozinha, pessoas com crianças pequenas, adolescentes com os pais, meninas com as mães e uma infinidade de idades e looks. Ali dava pra perceber muita gente montada pro evento e desfilando suas Pradas. Outras vestidas de maneira confortável porque sabiam que o dia seria longo. Algumas enlouquecidas como se a loja fosse a ultima garrafa de água no deserto. E outras tantas bem simples e com um olhar esperançoso e animado. No meio disso tudo tinha uma galera que vinha espiar a bagunça e fazer diversos comentários, que eu achei até divertido, um senhor perguntou o motivo de tanta agitação e quando descobriu fez uma cara de indignação e respondeu com a seguinte frase: Estão vendendo ouro em pó ou as joias reais a preço de banana nessa loja??

…mas voltando pra fila: quando eu estava a poucos metros de pegar a pulseira amarela uma funcionaria da loja sobe no muro e começa a falar com a multidão. Todo mundo se cala e ouve atentamente ela dizer que as pulseiras haviam acabado e que não era certeza que todas nós iriamos conseguir entrar na loja. Que após pegar a pulseira, ainda havia um corredor de fila – nessa hora descobri o quanto eu estava sendo inocentemente tola de achar que depois de pegar a pulseira seria rápido entrar na loja e que a muvuca estava toda no átrio pra não atrapalhar as outras lojas e clientes que não tinham nada com isso – que ia daquele ponto até a Forever 21 e estava dividido em vários blocos e vigiado por 16 seguranças. Nesse momento começou a revolta e gritaria, afinal, já estávamos esperando a 3 horas. Mas ela voltou a falar e disse que os preços não eram promocionais, que as peças não iam acabar e que a loja abriria todos os dias as 10 da manha, inclusive no domingo, então que não precisávamos nos desesperar.

Nessa hora muita gente abandonou a fila, mas mantive minha posição com a esperança das coisas mudarem. Em pouco tempo, a funcionaria disse que muita gente que já estava com as pulseiras poderia desistir, já que a previsão de espera a partir daquele ponto era de 5 horas! E não parava por aí, a fila dos provadores era de 1h30 e do caixa de 2h!! As pessoas começaram a fazer perguntas e chegaram perto dela pra ouvir as respostas, foi nesse momento que virou zona. Todo mundo saiu da fila e virou um aglomerado de mulheres histéricas. Eles acharam melhor liberar a entrada e deixar o pessoal esperar lá dentro em vez de simplesmente barrar todo mundo. Aí rolou barraco, empurra- empurra e um bando de folgadas querendo furar a fila, a coisa ficou tensa e quem estava na fila começou a impedir as furonas de entrarem na frente. Eu mesma dei um chega pra lá em uma meia dúzia.

No que desci as escadas e cheguei ao corredor dos restaurantes, pude ver a complexidade da coisa e me assustei. A fila ocupava TODO o corredor dos restaurantes e não tinha fim ao que os olhos podiam ver. Novamente deixei minha super mãe e companheira de aventuras na fila e fui ver o tamanho da coisa e me informar das possibilidades.

Realmente parecia que não ia acabar nunca! Tinha gente ocupando todos os espaços dentro de “cercados” de fita, um segurança em cada ponta de cada bloco e uma verdadeira multidão olhando sem entender o que tudo aquilo significava. Dentro daquelas pequenas jaulinhas, dava pra ver de tudo, gente sentada no chão, grupos comendo um mc pra não ter um treco antes de chegar nas roupas, gente cansada, desesperada, empolgada, fotografando tudo e até chorando.imagem 2 forever 21 Chegando ao final do corredor, tinha mais um quadrado cercado com um zig zag de umas 10 fileiras, tipo fila de montanha-russa. Depois disso, na porta da loja, mais um de três. Fiquei observando por uns minutos. Quando chegavam a esse ultimo bloco, a cara das pessoas era de vitória, alguns grupinhos entravam na loja gritando de felicidade. Ao lado tinha uma outra pequena fila distribuindo bebidas e petiscos. Espiei dentro da loja e vi a multidão da 25 de março, pessoas aglomeradas nas araras e se apertando pra ver tudo que tinha, afinal, só assim valeria tanto esforço.

No meio de toda essa bagunça, encontrei com a menina que deu a noticia pra gente lá fora e perguntei a única coisa que realmente me importava pra decidir ficar ou não naquela fila, se o estoque daria pra atender todas aquelas clientes. Ela me respondeu que sim, que eles recebem 800 caixotes por dia! Então com certeza teria roupa pra todo mundo.

Foi nessa hora que desisti – pelo menos por algumas horas- de fazer parte daquela doideira. Sai da fila, fui almoçar e peguei meu cineminha, quem sabe, mais tarde, as coisas estariam melhores. Entre uma coisa e outra, passei em algumas lojas pra ver a repercussão da inauguração e estava todo mundo incrédulo, aquilo era surreal, tinha lojista falando que o shopping parecia 24 de dezembro, o que realmente parecia. Na hora do sorvete encontrei umas meninas que tinham acabado de sair da loja e com a sacolinha de brinde, ou seja, estavam entre as primeiras 500 clientes. Perguntei se tava valendo a pena e elas cheias de sacolas e sorriso no rosto me responderam que sim. Aí não me aguentei e pedi pra ver o brinde, era uma sacola preta e um chinelo exclusivo feito pra ocasião. Uma delas me contou que quando entregaram as sacolas o shopping parecia um mercado de peixe, já que os números eram sortidos e ficou  aquele troca-troca pra todo mundo sair com o um chinelo que servisse no pé.

Saí da fila as 13h30 e retornei as 19h. Como eu havia previsto, todo aquele furor da manha havia diminuído e a fila agora só estava no cercadinho de 10 filas e mais uma pequena parte.  Ainda perguntei se era possível entrar, já que o boato que estavam espalhando na porta de cima era que a loja havia fechado pra quem ainda estivesse fora da fila. O segurança me disse que eu poderia tentar e que se conseguisse entrar antes das 22h, seria atendida. Eu arrisquei com o plano de esperar até as 20h e ver se andava um tanto que valia a pena. No começo demorou e quase fui embora, mas do nada começou a andar bem e as 20h10 eu estava lá dentro!!!imagem 3 forever 21 Não gritei, mas entrei saltitando, todo aquele trabalho merecia comemoração! Realmente a loja estava cheia de roupas, mas cheia mesmo, com todas as araras lotadas. Mas com tamanho movimento era impossível  os funcionários manterem tudo organizado e estava uma verdadeira bagunça, era peça misturada pra todos os lados. Dava pra ver a mesma blusa em pelo menos cinco lugares diferentes, uma verdadeira miscelânea.

Bolei o plano de ver tudo o mais rápido possível e estar na fila do caixa as 22h, não queria correr o risco de se expulsa e sair de lá sem garantir que tinha visto tudo. Graças ao meu olhar de personal shopper, consigo focar no que procuro e abstrair as outras informações, achando tudo rápido. Tinham muitos obstáculos, como as filas pra provar e pagar que cercavam praticamente toda a loja, mas ainda assim peguei uma porção grande de peças.imagem 4 forever 21 Não dava pra perder tempo na fila do provador, mas eu jamais compraria peças sem provar e me certificar de que estavam perfeitas pra mim. Então aproveitei que estava de short e blusinha soltinha e rendada, que precisava de uma regatinha justa por baixo. Nessa hora dei uma esquecida no estilo e tirei a blusa de cima e provei tudo num cantinho escondido e próximo ao espelho. Muitas peças foram reprovadas e já voltaram pras araras, mas algumas foram aprovadas e seguiram sem seus cabides pra dentro da minha sacola de compras que eu segurava como filha, ainda mais porque consegui arrematar dois vestidos que eram os últimos e tinha gente querendo saber onde eu tinha achado. Claro que essa técnica funcionou porque só escolhi peças que eu conseguiria provar naquelas condições e deixei pra depois as partes de baixo.

Quando faltavam 10 minutos pra fechar eu fui pra fila, nesse momento comecei a fotografar a loja e a ver se todas as peças que peguei estavam boas e podiam ser levadas. Estava tudo ok e só me restava esperar e seguir aquela longa fila.

Nesse momento me rendi ao cansaço e sentei no chão. Observei o que não tinha conseguido ver porque a fila estava no caminho e fiz amizade com as colegas de fila. Além disso, eu e minha mãe fomos nos revezando, uma ficava na fila enquanto a outra dava mais um giro na loja.

Entre as meninas que me acompanhavam na fila, descobri algumas coisas interessantes: umas já eram fãs da marca, outras só ouviram falar. Algumas comparavam a loja do Brasil com as de outros países. Mas o que se via no rosto de todas, além de extrema exaustão, era um sorriso de felicidade, apesar do sufoco, tava todo mundo feliz de estar ali. Algumas meninas carregavam sacolas lotadas, mas também vi uma garota contando o dinheiro que tinha pra ver se poderia compras mais do que um brinco. Muitos pais, namorados e maridos estavam acompanhando mulheres e apesar de não entender o significado daquilo, fizeram o possível pra ajudar suas companheiras da melhor forma, confesso que admirei muito todos aqueles homens, aquela situação não era pra qualquer um.

Enquanto esperei, pude ver 3 pessoas que já tinha reparado enquanto passeava pela loja, mas não tinha dado atenção porque meu foco eram as roupas. 3 asiáticos falando inglês com a equipe, imagino serem os responsáveis pela vinda da marca ao Brasil ao até mesmo o dono da rede e estavam incentivando os funcionários e parabenizando pelo ótimo trabalho. Em meia hora a loja que estava um verdadeiro caos estava praticamente pronta pra outra com toda a sua graça inicial.

Depois de 50 minutos na fila eu cheguei ao caixa e paguei minhas peças –amanha faço um post falando sobre elas porque esse já tá enoooorme- e perguntei pra vendedora como estava o dia. Ela disse que foi ótimo, que superou todas as expectativas e que pelo menos 4000 pessoas passaram pela loja no sábado, não 2000 como foi noticiado em alguns sites. Eu não acreditei mesmo em 2000, era gente demais, eu tava chutando 5000.

Fui embora acabada, mas feliz de ter participado desse momento e com uma conclusão: muita gente não entendeu o porque de tantas pessoas terem suportado tantas horas de filas intermináveis por roupas, inclusive muita gente comentou que a loja não ia sair do lugar. Os canais que estão divulgando o lançamento, mas nem sempre são entendidos do assunto, dizem que o fator que motivou todas essas pessoas era o preço, mas na verdade era muitoooo mais do que isso.

Roupa barata tem aos montes em varias lojas, então o preço não é o fator único por essa inauguração surreal. Essa multidão só prova o quanto o nosso país é carente de marcas com informação de moda a preços realmente acessíveis. As peças são muito legais, mas o que mais vale é a experiência. Todas essas meninas que estavam lá hoje tem acesso a informações, mas nem sempre os produtos que fazem os olhos brilharem chegam ao alcance delas. Quando digo experiência, não estou me referindo ao dia inteiro na fila, mas a chegada ao paraíso das roupas, onde tudo é bonito, principalmente o visual da marca, que é moderno, fashion e atrativo. Na Forever 21, apesar da bagunça e caos do sábado, tudo é planejado pra encantar. As peças são bacanas, os dispositivos são empolgantes, os funcionários são simpáticos e bem treinados e mais um monte de pequenos detalhes que fazem a diferença. Quem participou dessa loucura, tanto como funcionário como cliente, estava com a aparência esgotada, mas visivelmente feliz. Aquilo não é apenas a vontade de comprar uma calça nova, mas a vontade de se sentir parte de algo especial.

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