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O que está errado no mercado de moda

O meu trabalho é ajudar pessoas a encontrarem o que precisam e comprarem com sabedoria. Não trabalho com celebridades, nem diretamente com o mercado de luxo, mas sim com as pessoas comuns, que estão por toda a parte e vivem do mesmo modo que você que está lendo esse texto, e não como a atriz da novela ou a blogueira do momento. E são essas pessoas que realmente fazem a moda girar e as marcas se sustentarem, mas aparentemente, muitas empresas se esqueceram disso. Talvez essa seja a razão de tanto produto encalhado e vendas perdidas. Ok, estamos num momento econômico difícil, mas esse não é o único fator que barra as pessoas na hora de passar o cartão em troca de alguma mercadoria.  imagem 1 o que está errado com o mercado de moda

Vou usar um exemplo que vivenciei nesses últimos dias com 4 clientes, as botas. Mas o fato é que isso não acontece só com o setor de calçados, mas com praticamente tudo que está nas vitrines.

-Personalidade sutil: Está difícil encontrar produtos com uma personalidade discreta. Em tempos de Instagram, a foto mais elaborada realmente chama a atenção e cresce o olhar, mas no dia a dia, isso nem sempre é pratico e usável.  A quantidade de produtos diferentes e de “fashionistas” é enorme e eles dividem a prateleira com as coleções básicas que sustentam as lojas todos os anos, mas cadê o meio termo? Achar bota cheia de taxas, laços, tecidos e estampas é fácil, aquela preta lisa também tem aos montes. Mas quando você procura um meio do caminho é uma tarefa quase impossível.

– Verão no inverno: Lançamentos antecipados são gostosos e causam aquela sensação de “estou sempre por dentro da ultima tendência”, mas vemos tantos preview, resort, verão, alto verão e sei lá mais quantos nomes queiram dar, que chega a ser ridículo perceber que no começo de julho não conseguimos achar muitas botas para comprar, mas já podemos encontrar uma pontinha da coleção de verão nas prateleiras! Serio?? Estamos no auge do inverno e não tem sapato de frio a venda?? Se tem são meia dúzia de opções sem numeração. Por mais bacana que seja se antecipar e lançar primeiro, o negócio tá ficando tão invertido que as pessoas não encontram o que precisam no momento certo, sempre tem que comprar pensando na próxima estação e considerando o consumidor que não vive de moda e pouco se importa com a ultima tendência da passarela, isso vira um desespero.

– Não ganhamos em Libra: Eu sei, os impostos estão altos, o aluguel é um absurdo e os serviços utilizados custam uma fortuna, mas os preços estão ficando irreais e o consumidor não aguenta ou não quer pagar valores exorbitantes por tudo que ele precisa. As vezes fico com vergonha de dizer aos meus clientes o valor que eles precisam pagar por produtos de qualidade razoável, pois os preços praticamente duplicaram. Alguns anos atrás, se comprava uma bota bacana por 250 reais, hoje, a mesma bota já está na faixa dos 450, 500. Aí o consumidor pensa duas vezes e acaba comprando menos, já que precisa desembolsar tanto pelos produtos.

– Todo mundo quer vender pra Gisele: Ô mania chata de focar os produtos na mulher jovem, endinheirada, viajada e com corpo escultural. Esse publico existe? Claro que sim, mas já está saturado e uma porcentagem bem grande do mercado real não se enquadra nessas características. Marcas, vamos parar de oferecer só produtos pras Angels da VS e começar a enxergar quem são de fato as mulheres que estão aí todos os dias!  O salto 15 é lindo e incrível, mas pra trabalhar todo dia, um salto 5 é bem mais interessante. O mesmo vale para calças tamanho G que vestem manequim 40 e por aí vai.

Não trabalho com campanhas, marketing ou criação para clientes ideais, mas estou todos os dias com os consumidores reais, que muitas vezes querem comprar, mas não conseguem!

 

PS: foto do site tellwut.com

Escolha suas cores!!!

Na moda não existe certo e errado, o conceito do que é bonito ou feio é muito subjetivo, portanto escolher a peça certa depende muito do perfil de cada um. O mesmo vale para as cores! Nesse momento sei que muitos profissionais do ramo vão discordar e dizer que temos que usar somente as cores certas – que algum daqueles milhões de estudos disse que é certo- e ficarmos “presos” no conceito de que cada um de nós tem suas cores boas e também suas cores ruins.

Já estudei um pouco as cores pra não levar aos meus clientes uma tabelinha de certo e errado, principalmente porque cor é uma coisa meio magica, cada um enxerga a mesma cor de formas diferentes. Já percebeu que um tom que pra você é azul, pro seu amigo pode ser verde?

Mas esse nem é o principal motivo de eu não podar as cores pros meus clientes. Claro que existem tons que nos realçam e outros que nos apagam, mas um fator muito mais importante é a personalidade, e privar alguém de sua personalidade nunca é uma escolha sabia.escolha suas cores

O meu primeiro estudo de cores para as pessoas foi uma experiência muito simples, apenas identificar se cada aluno da sala tinha subtom de pele quente ou frio. O mais chocante desse processo, não foi de fato a descoberta do tom, mas a alegria ou desanimo das pessoas ao descobrirem se “podiam” ou não usar suas cores favoritas.

Nesse primeiro contato eu dei sorte de encaixar nos meus tons queridos, mas numa segunda experiência, com outro profissional para descobrir a saturação dos tons que cada um de nós “aguenta” levei um belo banho de agua fria.

Fui pega como exemplo numa turma de pelo menos 50 pessoas. Naquele dia, vestia uma blusa amarela com vontade de ser amarela. Lá fui eu para o centro da sala e após o teste descobri que eu estava toda errada, que na teoria, eu só deveria usar tons pasteis!! Ufff!! Aquilo foi cruel, minha personalidade é muito vibrante pra me contentar com tons pasteis, era como se a partir daquele momento eu tivesse que me despedir de um pedacinho de mim pra ficar dentro das regras.

Mas como estava disposta a aprender e ter a melhor imagem possível perante os olhos alheios, afinal, eu estava prestes a abrir uma empresa de personal shopper e precisava estar apropriada, me rendi aos tons clarinhos.

Meu closet sempre teve tons neutros que são ótimos pra compor looks, mas em todos eles sempre havia uma pitada de cor forte. A partir daquele dia, escolhi somente os neutros e deixei meus coloridos apenas no sapato.

Fiquei 3 dias nessa situação. Algumas pessoas disseram que eu estava ótima, mas outras me falaram que eu tinha apagado com aquelas cores.  Então resolvi me aventurar novamente no mundo colorido e tirei do armário um vestido todo estampado em cores vibrantes.

Cheguei à aula de outra professora, tão competente ou até mais do que a outra, mas nem comentei o assunto das cores. Pra minha surpresa, no final da aula quando fui à mesa dela recebi um elogio, ela disse que eu estava linda, que aquele vestido colorido estava ótimo em mim!

Foi aí que percebi o quanto esse assunto é subjetivo e que as pessoas enxergam de maneiras diferentes os mesmos tons. Que o certo e o errado em ternos de cores são relativos, e levar a personalidade em consideração realça muito mais do que obedecer a testes.

A partir daquele momento, resolvi que o Compras com Estilo não seria um lugar de ditar regras e impor conceitos, mas de descobrir juntos qual é o certo pra cada um. Afinal, sempre queremos estar apropriados para todas as ocasiões, mas com certeza podemos fazer isso sem matar nosso interior.

 

 

PS: fotos de artistas desconhecidos